segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ilegal x Legal

A corrupção, ultimamente, tem sido a palavra da moda. Ela é apontada como o atual grande vilão da sociedade. Mas será que os mecanismos ilegais são mesmo o nosso atual maior problema? Particularmente, eu acho que não. Vou tentar explicar o meu ponto de vista exemplificando.

Quando olhamos uma empresa financiando uma campanha milionária, achamos um absurdo e temos a nítida certeza de que isso não é uma ação ideológica, mas um investimento que espera um retorno financeiro grande para a empresa. Pois é, segundo o uol notícias, só a empresa Andrade Gutierrez doou a quantia de 21 milhões de reais para a campanha da Dilma e de 19 milhões para a campanha do Aécio. Absurdo não? Mas isso não é nada ilegal, as empresas podem declarar que estão “doando” esse dinheiro para as campanhas e ponto, nada vai acontecer com elas.

Ah Bruno, mas, até então, o estado só está lucrando. Verdade, mas agora vem a parte legal da história. O Brasil é um dos países com a maior carga tributária do mundo, abrir uma empresa aqui é um inferno e diversos pequenos empreendedores optam, inclusive, por abrir as suas empresas fora do país devido a esse motivo. Porém, o governo pode fazer leis com o intuito de “alavancar a economia do país” e dar incentivos fiscais a determinado segmento da sociedade, redução do IPI para empresas de automóveis por exemplo, e esses incentivos fazem com que as empresas lucrem muito mais do que o que elas investiram em campanhas (dinheiro que era para ser do governo). Ah e tem mais, o presidente sozinho pode entender que o incentivo é emergencial, legislar e a lei entra em vigor antes mesmo de ser aprovada pelo congresso.

Moral da história, com os incentivos que as empresas recebem, elas são capazes de bancar a campanha do candidato eleito, da oposição, comprar sítio, pedalinho, helicóptero com cocaína, aumentar absurdamente o lucro da empresa e ainda sobra um dinheiro para o diretor que fez a operação colocar no bolso. E ISSO TUDO É LEGAL!! Isso porque eu nem perdi tempo falando de como funcionam as licitações na prática e nem sobre a política para obras emergenciais (que são um escoamento indecente de dinheiro público), o texto ficaria ainda maior e mais revoltante.