domingo, 2 de outubro de 2016

O futuro dos Engenheiros no Brasil

Já faz um tempo que eu tenho pensado em escrever uma série de posts com a intensão de ajudar as pessoas que estão no processo de escolha da carreira profissional. Reuni alguns temas que recorrentemente me perguntam e resolvi escrever sobre. Em tese, os temas serão: “Como escolher a sua profissão”, “Expectativa de salário”, “Universidade Pública x Particular”, “Engenharia na UFRJ”, “Engenharia Eletrônica na UFRJ” e, por fim, o tema de hoje que é “O futuro dos Engenheiros no Brasil”.

Existem várias engenharias (Elétrica, Civil, Produção, Mecânica…), que são conceitualmente bem diferentes entre si. Acontece que, na prática, a diferença só existe mesmo enquanto você está na graduação porque, depois de formado, a verdade é que engenheiro é engenheiro e, com poucas exceções, o tipo da sua engenharia não vai fazer muita diferença. Basicamente, existem 6 caminhos prováveis para os recém-formados em engenharia no Brasil e vou falar um pouco sobre eles.

1 Concurso Público

Um caminho possível é fazer um concurso público tanto na área de engenharia (Petrobrás, Perito da Policia Federal, Engenheiro das Forças Armadas…) ou até mesmo algum outro concurso que só exija ensino superior e que não tenha nenhuma relação com engenharia. Aqui você vai ter uma estabilidade absurda, ganhar um bom salário e trabalhar relativamente pouco. Seu ganho variável não deve ser muito, seu crescimento é meio lento e você acaba sendo nivelado pela média, não existe muita diferenciação entre você ser bom profissional, ou não. Geralmente, se você é uma pessoa mais empreendedora, que gosta de trabalhar e gerar resultado esse não costuma ser o melhor caminho, mas, se você não é uma pessoa muito ambiciosa, é um caminho muito estável e menos estressante.

2 Indústria

Outra opção, é trabalhar na indústria. Aqui, pode ser que sua área de atuação seja mais próxima da sua engenharia especificamente, mas também não é uma regra. Na prática, grande parte dos engenheiros acabam virando gestores, irão gerenciar equipes, controlar prazos e custos e dificilmente irão “colocar a mão na massa” para realizar uma tarefa mais técnica. O salário da indústria é, em média, bom, você deve ter um ganho variável considerável se você conseguir bater as metas, terá um plano de carreira mais justo que levará em consideração o seu desempenho, mas não tem muita estabilidade. Se você não for um profissional bom, você pode ser demitido sem muita cerimônia, além disso, variações no mercado também podem te fazer perder o emprego mesmo que você seja um bom profissional. Funciona mais ou menos assim: A empresa não te dá dinheiro porque é sua amiguinha, ela te remunera para você produzir para ela, só que, se a empresa não vende, ela precisa diminuir a produção e cortar gastos e seu salário é um gasto. Ainda que você seja um profissional promissor, mandar um funcionário antigo embora custa mais caro do que mandar um funcionário recém contratado, isso sem contar que o funcionário mais antigo tem mais experiência e, geralmente, entende melhor do negócio do que você.

3 Pesquisador

Essa é a opção em que a especialidade da sua engenharia faz mais diferença. Normalmente, a profissão do pesquisador é bem comparada ao do concursado público porque potencialmente você será pesquisador de alguma universidade pública, que é um concurso público. Aqui, você vai ter mais liberdade para poder pesquisar sobre o que você quiser e, de certa forma, você quem determina o seu limite, vai trabalhar o quanto julgar necessário para atingir os seus próprios objetivos como pesquisador. Geralmente, você também vai ser obrigado a dar aula, mas isso não costuma representar a maior parte do seu tempo de serviço.

4 Empreender

É comum ver pessoas que se formam em engenharia se aventurarem pelo mundo do empreendedorismo e começarem a montar a sua própria empresa. Por mais estranho que isso possa parecer, esse é o caminho onde você provavelmente irá ter o menor retorno financeiro. Criar um negócio é algo bem arriscado, que geralmente não dá certo e, quando dá, você acaba precisando reinvestir no seu negócio para que ele continue competitivo de forma que não sobra muita coisa para você, pelo contrário, possivelmente vai viver endividado. Você ganha pouco, não tem estabilidade nenhuma, vai sofrer uma pressão muito grande de ser o responsável pelo negócio, não vai poder tirar férias, não tem direito trabalhista, vai trabalhar umas 14 horas por dia, mas vai ter um grande senso de propósito e a imensa satisfação de poder trabalhar para desenvolver algo seu e, por incrível que pareça, muitas vezes essa sensação equilibra todos os contras desse caminho.

5 Mercado Financeiro

Esse é o caminho onde você mais deve ter um retorno financeiro. Possivelmente, o seu salário fixo nem será tão alto, mas você recebe diversas bonificações de acordo com as metas que você bate, porcentagens das transações e etc. Lembra do filme “O lobo de Wall Street”, então esse é o mercado financeiro. Você terá que viver sob uma pressão muito grande porque tudo envolve muito dinheiro, trabalhar entre 12 e 14 horas/dia e vai ter um retorno financeiro realmente muito grande. Seu dia a dia vai depender muito do banco e da área que você vai trabalhar, se for trabalhar com análise de investimento, você vai ficar fazendo planilhas e calculando quais são os melhores lugares para investir grandes quantias de dinheiro e pode receber uma porcentagem do lucro desse investimento por exemplo. Além disso, você pode trabalhar em outras áreas, como vendas e TI.

6 Consultoria Estratégica

Por fim, outro caminho bem interessante é trabalhar em alguma consultoria estratégica. Aqui é um dos lugares onde o seu plano de carreira é mais acelerado, seu retorno financeiro é acima da média, você deve trabalhar entre 10 e 14 horas/dia, sem muita estabilidade, mas é um lugar onde você irá desenvolver bem rápido os seus conhecimentos de mercado. Basicamente, uma empresa de consultoria estratégica é uma prestadora de serviços que auxilia demais empresas em seus processos de tomada de decisão. Por exemplo, uma empresa está diminuindo o seu lucro líquido e contrata a consultoria para estudar as melhores soluções para reverter o quadro. Outro exemplo, uma fábrica nos estados unidos está pensando em começar a produzir na China e contrata uma consultoria para dizer se ela vai lucrar, ou não, com essa estratégia. O lado bom da consultoria é que, como você lida com decisões mais estratégicas, você acaba tendo mais contato com a alta gestão da empresa, o que faz com que você aprenda muito rápido e te proporciona um network interessante, além disso, o trabalho é muito dinâmico porque você irá trabalhar em diversos projetos distintos em diversas empresas. As grandes empresas de consultoria também costumam bancar para você fazer MBA nas melhores universidades do mundo Harvard, Wharton, Stanford, Columbia, MIT e etc.

Resumindo, se você pensa em cursar engenharia, tenha em mente que, em algum momento, você irá precisar decidir quais desses caminhos vai seguir, então procure saber mais sobre eles. Por mais que os professores te façam acreditar o contrário durante a vida, a faculdade é apenas um meio e não um fim. Pense sempre no seu futuro profissional antes de pensar no curso. Espero ter ajudado. Abraço.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ilegal x Legal

A corrupção, ultimamente, tem sido a palavra da moda. Ela é apontada como o atual grande vilão da sociedade. Mas será que os mecanismos ilegais são mesmo o nosso atual maior problema? Particularmente, eu acho que não. Vou tentar explicar o meu ponto de vista exemplificando.

Quando olhamos uma empresa financiando uma campanha milionária, achamos um absurdo e temos a nítida certeza de que isso não é uma ação ideológica, mas um investimento que espera um retorno financeiro grande para a empresa. Pois é, segundo o uol notícias, só a empresa Andrade Gutierrez doou a quantia de 21 milhões de reais para a campanha da Dilma e de 19 milhões para a campanha do Aécio. Absurdo não? Mas isso não é nada ilegal, as empresas podem declarar que estão “doando” esse dinheiro para as campanhas e ponto, nada vai acontecer com elas.

Ah Bruno, mas, até então, o estado só está lucrando. Verdade, mas agora vem a parte legal da história. O Brasil é um dos países com a maior carga tributária do mundo, abrir uma empresa aqui é um inferno e diversos pequenos empreendedores optam, inclusive, por abrir as suas empresas fora do país devido a esse motivo. Porém, o governo pode fazer leis com o intuito de “alavancar a economia do país” e dar incentivos fiscais a determinado segmento da sociedade, redução do IPI para empresas de automóveis por exemplo, e esses incentivos fazem com que as empresas lucrem muito mais do que o que elas investiram em campanhas (dinheiro que era para ser do governo). Ah e tem mais, o presidente sozinho pode entender que o incentivo é emergencial, legislar e a lei entra em vigor antes mesmo de ser aprovada pelo congresso.

Moral da história, com os incentivos que as empresas recebem, elas são capazes de bancar a campanha do candidato eleito, da oposição, comprar sítio, pedalinho, helicóptero com cocaína, aumentar absurdamente o lucro da empresa e ainda sobra um dinheiro para o diretor que fez a operação colocar no bolso. E ISSO TUDO É LEGAL!! Isso porque eu nem perdi tempo falando de como funcionam as licitações na prática e nem sobre a política para obras emergenciais (que são um escoamento indecente de dinheiro público), o texto ficaria ainda maior e mais revoltante.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Debate Moderno

Segue a letra da música que terminei de fazer hoje:

"Debate Moderno


É, você já ouviu lá no noticiário
O que está em pauta no judiciário?
O que foi dito na delação?
Pois é, não dá pra entender o seu ponto de vista.
É dia após dia, em capa de revista,
Um novo escândalo de corrupção.

E eu acho engraçado que só para o meu lado a carapuça se veste,
São mais de 200 nomes na lista da Odebrecht
E não vejo a mídia fazer menção.
E então passou da hora de você perceber
Que a crise é forjada, é jogo de poder,
É tudo reflexo de manipulação.

Não, não, não. Já estou há meia hora tentando explicar.
Manter esse governo, para mim, não dá,
Cada dia que se passa aumenta a inflação.
Meu irmão, precisamos nos mobilizar.
Cada vez mais gente sem trabalhar.
Desemprego afeta toda a população.

Que sem noção. Se derem o golpe não vai acabar,
Se a presidente cair, quem é que vai governar,
Ocupar o cargo máximo da nação?
Preste a atenção, abra os olhos para a realidade
Toda vez que um governo combate à desigualdade
A elite inventa uma revolução.

Você não é capaz de me entender,
Está impossível de debater.
Só por favor não me leve a mal,
Mas seu argumento é bem irracional.


E todo o debate é sempre o mesmo esquema.
Escolhem um lado pra ser a causa do problema.
Esse é o tipo de atitude que aliena a mente.
Olhe toda a moeda e seja mais consciente.
Sei que pensar analiticamente realmente cansa,
Mas essa é, atualmente, a nossa esperança.
Não seja bipolar, abra a cabeça então.
No fundo, todo mundo tem um pouco de razão.




Letra: Bruno Reis
Ideia do Tema: Vitor Menezes
Data: 30 de Março de 2016
"

domingo, 13 de setembro de 2015

A Educação como Solução

Eu tenho dito isso ultimamente. Tenho percebido que o discurso "A solução dos problemas no Brasil é a educação" já se tornou um discurso padrão. Durante nossa formação nos é passado, de certa forma, pelos nossos professores essa ideia e acaba que, hoje em dia, todo bom pseudo-intelectual aprende a usar essa frase como se fosse uma solução mágica para problemas como desigualdade social, violência e etc.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que eu ouvi "não adianta prender, tem que investir em escola pública de qualidade". Não que esse discurso seja totalmente errado, mas vamos supor que o governo faça um investimento absurdo em educação e as escolas públicas tenham a mesma qualidade das escolas particulares o que mudará de tão significativo na vida das pessoas a ponto de se tornar uma solução pra todos os problemas?

Claro que faltam investimentos para a educação, mas o maior problema dela é estrutural. Hoje os ensinos fundamental e médio se resumem apenas a um preparatório para o vestibular. Ninguém aprende, na escola, o que é realmente importante pra vida. Tirando ler, escrever e fazer alguma álgebra os conhecimentos não são úteis no dia a dia de um cidadão normal.

No nosso modelo, temos aula de química, física, biologia, história...
Mas deveríamos ter aula de Direito Civil, Constitucional, Penal... Administração de financias pessoais, ciência política. Conhecimentos que são úteis para a vida e possibilitam uma melhor compreensão do estado e do convívio em sociedade.

Todo cidadão é obrigado a conhecer a lei, mas aprende sobre fotossíntese.

Todo concurso público cai direito, mas aprendemos ligação iônica e covalente.

Todo cidadão precisa pagar imposto, mas aprende sobre placas tectônicas.

Todo cidadão vota no partido antes de votar no candidato, mas muitos não sabem como funciona o atual sistema político porque estavam ocupados aprendendo a formula de Bhaskara.

O cara aprende a fórmula para calcular a velocidade média de um carro, mas não aprende a trocar a resistência de um chuveiro elétrico.

E é por isso que é tão difícil de convencer a população mais carente da importância de estudar. E, nesse cenário, incentivos a movimentos culturais e ao esporte tiram mais jovens do mundo do crime do que as escolas, porque são conhecimentos práticos que irão fazer uma diferença real na vida dessas pessoas.

domingo, 25 de novembro de 2012

Avante

"Dei para maldizer o amor
Por buscá-lo em quem
Não o tinha para dar.

Frustrado,
Outra saída não me restou
Senão navegar, navegar.

Na solidão do mar,
Uma ilha avistei.
Não aquela que deixara,
Mas a que sempre busquei.

Em meio à tamanha estupefação,
Já não há como dissimular
Aquele coração que, outrora, chorava,
Novamente, pôs-se a sonhar."

Autoria: Thiago Mothé

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Chão de Giz

Depois de séculos com a promessa de atualizar constantemente o blog, decidi, mais uma vez, que não irei abandoná-lo. E colocarei aqui uma interpretação da letra "Chão de Giz" de Zé Ramalho. Esse texto não é de autoria minha, mas também não sei quem é o autor, logo não irei citá-lo. Espero que gostem. Eu amei.


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O Zé teve, em sua juventude, um caso duradouro com uma mulher casada, bem mais velha, da alta sociedade de João Pessoa, na Paraíba. Ambos se conheceram num Carnaval.
Ele se apaixonou perdidamente por esta mulher, só que ela era casada com uma pessoa influente da sociedade, e nunca iria largar toda aquela vida por um "garoto pé rapado" que ela apenas "usava" para transar gostoso.

Assim, o caso, que tomava proporções grandes, foi terminado. o Zé ficou arrasado por meses, e chegou a mudar de bairro, pois morava próximo a ela. E, nesse período de sofrimento, compôs a canção. Conhecendo a história, você consegue perceber a explicação para cada frase da música, que passo a transcrever:

Entendendo a letra:

"Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz"
Um de seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz também indica a fugacidade do relacionamento, facilmente apagável (mas não para ele...)

"Há meros devaneios tolos a me torturar"
Devaneios, viagens, a lembrança dela a torturá-lo.

"Fotografias recortadas de jornais de folhas... amiúde"
Outro hábito seu era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais - lembre-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.

"Eu vou te jogar num pano de guardar confetes"
Pano de guardar confetes são aqueles balaios ou sacos típico das costureiras do nordeste, onde elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, ele diz que vai jogar as fotos dela fora num pano de guardar confetes, para não mais ficar olhando-as.

"Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir"
Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil pois ela é casada com o tal figurão rico (o Grão Vizir)

"Há tantas violetas velhas sem um colibri"
Aqui ele pega pesado com ela... há tantas violetas velhas (como ela, bela, mas velha) sem um colibri (jovem pássaro que a admire). Aqui ele tenta novamente convencê-la simbolicamente, destacando a sorte dela - violeta velha - poder ter um colibri, e rejeitá-lo.

" Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de Vênus"
Bem, aqui é a clara dualidade do sentimento dele. Ao mesmo tempo em que quer usar uma camisa de força, para manter-se distante dela e não sofrer mais, queria também usar uma camisa de Vênus, para transar com ela.

"Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro"
Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para "gozar o tempo de um cigarro". Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro (também representativo como o sexo, pois é hábito se fumar um cigarro após o mesmo).

"Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom"
Para que beijá-la, "gastando o seu batom"
(o seu amor), se ela quer apenas o sexo?

"Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez"
Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é inútil tentar. Mas, apaixonado como está, vai novamente "à lona" - expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas que também significa a lona do caminhão com o qual ele foi embora - lembre-se que ele teve que se mudar de sua residência para "fugir" desse amor doentio

"Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar"
Auto-explicativo, né?! Esse amor que, para sempre, irá acorrentá-lo, amor inesquecível.

"Meus vinte anos de boy, "that's over, baby" , Freud explica"
Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (complexo de Édipo, talvez?).
Em todo caso, "that´s over, baby", ou seja, está tudo acabado.

"Não vou me sujar fumando apenas um cigarro"
Ele não vai se sujar transando apenas mais uma vez com ela, sabendo que nunca passará disso

"Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval"
Lembrem-se, eles se conheceram num carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que ele iria jogar num pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que agora já passou seu carnaval, ou seja, terminou, passou o momento.

"E isso explica porque o sexo é assunto popular"
Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois só ele é valorizado - uma constatação amarga para ele, nesse caso.
Há quem veja também aqui uma referência do sexo a ela através do termo "popular", que se referiria ao jornal (populares), e ela sempre estava nos jornais, ele sempre a via neles.

"No mais estou indo embora"
Bem, aqui é o fechamento. Após sofrer tanto e depois desabafar, dizendo tudo que pensa a ela na canção, só resta-lhe ir embora.

Letra:

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...
Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...
Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...
Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...
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Depois dessa obra de arte, como não tenho palavras, irei me despedir apenas com a promessa de que, dessa vez, não abandonarei o blog novamente. Abraços e beijos.